Vida de Maria
As devoções que originaram de fatos marcantes da vida da Bem-aventurada, por exemplo: Sete Chagas ou Sete Dores, Sete Alegrias de Maria etc, tem suas origens incertas, pois são poucos os registros existentes que permitem rastreá-la até a antiguidade. Mas a tradição nos diz que é tão velha quanto a própria Igreja, pois suas origens vem da própria Virgem Maria cujo coração foi transpassado por uma espada (Lucas 2:36), quando estava ao pé da Cruz (Joao 19, 25-27). Durante o século XIII fica bem claro esta devoção, onde a Ordem Franciscana e Dominicana contribuíram muito para sua propagação. Destacando que os responsáveis principais desta propagação, se deve a sete riquíssimos cavaleiros de Florença (Itália), que renunciaram suas fortunas pelo serviço a Deus, e iniciaram uma ordem religiosa no ano de 1239 chamada: Ordem dos Servitas (Ordem dos frades servos de Maria), que adotou as dores de Maria como a principal devoção de sua Ordem e a espalhou por todo o mundo. Sendo a devoção das Sete Dores introduzida num texto da Missa no Sínodo de Colônia (Alemanha) em 1423 e estabeleceu a festa em honra a ser celebrada anualmente. Em 1730 Papa Bento XIII, aprovou esta devoção a toda Igreja.
As celebrações são realizadas em duas datas pela Igreja Católica, a primeira na sexta-feira antes da Sexta-feira Santa e a outra em 15 de setembro.
As sete dores refletem os sofrimentos inexplicáveis suportados pela Mãe de Deus e também nossa Mãe, uma vez que o Salvador deveria ser atormentado, martirizado e morrer por nos. Uma devoção que requisita os corações dos fieis a uma afetuosa compaixão para com os sofrimentos da Bem-aventurada Maria. Assim, a Igreja tenta nos mostrar seus sofrimentos, tribulações, aflições e provações suportadas pela submissão á vontade Divina e sua paciência por nos seus filhos, observando o sentimento de seu coração, sua sincera compaixão e especialmente pelo longo martírio, que começou com a profecia do Santo Simeão e terminou no calvário.
Nosso Senhor disse uma vez para Santa Veronica de Binasco ou Milão:
"Minha filha, as lágrimas que você derramou em compaixão pelos meus sofrimentos são agradáveis para mim, mas tenha em mente que por causa do meu amor infinito por minha mãe, as lágrimas que você derramou em compaixão por seus sofrimentos são ainda mais preciosas”.
As sete dores
- A profecia de São Simeão - (Lucas 2:34- 35).
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“ São Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua mãe: Eis que este menino está destinado a ser uma causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições, a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações. E uma espada transpassará a tua alma.”
Santa Matilda nos conta que em uma de suas visões, a Bem-aventurada Maria fala que quando São Simeão fez sua profecia ela sentiu que: “toda a Sua alegria se transformou em tristeza”. Assim, a Virgem Maria ouviu as tristes palavras de São Simeão, na qual ele menciona que muitos manifestariam seus corações contra seu amado Filho. Também foi revelado a Santa Tereza pela Virgem Maria, que já sabia que a vida de seu filho seria de perseguição, oposição e sacrificada para a salvação do mundo. Portanto, Ela toma conhecimento em sua mente dos insultos, golpes e o tormentos que se abateriam sobre seu Amado Filho. A Bem-aventurada Maria carregava consigo antecipadamente a grande amargura do sofrimento e consequente morte de seu Filho por homens incrédulos, sem fé e que não respeitam o que é Santo, iriam proporcionar ao seu Amado Filho, o Salvador do mundo. Todas essas tribulações e aflições, são angustias no coração da Bem-aventurada Maria, em favor dos homens pecadores, pois seu Filho Amado tinha que cumprir a vontade do Pai e Ela pela obediência também sofreria e sofreu com paciência e sincera piedade pelo gênero humano.
- A fuga da Sagrada Família ao Egito - (Mateus
2:13-15)
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“Depois de sua partida, um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse: Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito; fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o menino para o matar. José levantou-se durante a noite, tomou o menino e sua mãe e partiu para o Egito.”
A Bem-aventurada Maria sofre a angustia e o aperto em seu coração em preservar a vida de seu Filho da perseguição cruel de Herodes, que decretou a matança dos infantes afim de matar seu Filho. Assim, a Bem-aventurada Maria, notou que a profecia de São Simeão começava a se cumprir. Uma triste e desesperada fuga durante a noite, onde a longa viagem de aproximadamente 450 km, na qual certamente houve imensas dificuldades e privações ate chegar aquela terra do exilio e por lá viveram por sete anos na pobreza, somente sustentado pelo alimento de seu trabalho diário e sofrendo a amargura triste de estar ao meio de um povo estranho e idolatra.
- O desaparecimento do Menino Jesus (Lucas 2:
43-45)
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"Acabados os dias da festa, quando voltavam, ficou o menino Jesus em Jerusalém, sem que os seus pais o percebessem. Pensando que ele estivesse com os seus companheiros de comitiva, andaram caminho de um dia e o buscaram entre os parentes e conhecidos. Mas não o encontrando, voltaram a Jerusalém, à procura dele."
A Bem-aventurada Maria sofre em seu coração uma grande ansiedade, desespero e perturbação, que vem a ficar mais intenso quando procuram por seu Filho Amado entre os que acompanham na viagem e não o encontram. Neste momento o desespero consome o cansaço e os perigos. Regressam a Jerusalém e por três dias de imensa aflição, tristeza, angustia e perturbações procuram por Jesus. Assim, são os homens pecadores que perdem pelo caminho sua salvação, mas não se afligem em busca-la, mostrando pouco ou nenhuma importância ou mesmo se quer tem conhecimento sobre a imensa dor sofrida pela Bem-aventurada Maria e seu imensurável amor dedicado ao nosso Salvador – Jesus Cristo. Assim, Santo Agostinho sita a passagem bíblia de Jo, que diz: “tinha perdido o que Deus havia me dado, mas não o próprio Deus”. Portanto, nos não devemos ir a procura da salvação que esta perdida neste mundo, mas sim a procura de quem ofertou a salvação – Jesus.
- Encontro de Jesus e Maria a caminho do calvário (Lucas
23: 27-29)
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"Seguia-o uma grande multidão de povo e de mulheres, que batiam no peito e o lamentavam. Voltando-se para elas, Jesus disse: Filhas de Jerusalém, não choreis sobre mim, mas chorai sobre vós mesmas e sobre vossos filhos. Porque virão dias em que se dirá: Felizes as estéreis, os ventres que não geraram e os peitos que não amamentaram!"
A amorosa Bem-aventurada Maria, encontra seu Amado Filho carregando sobre a cabeça uma coroa de espinhos e uma pesada Cruz nas costas. Seu sangue escorria pelo seu rosto e pelas dilacerações em seu corpo, provocadas pelos açoites e arduamente caminhava em direção ao Calvário. Ouvindo escárnios, maldiçoes e recebendo golpes que lhe provocaram inúmeras contusões. Dor inexplicável, sofrimento imensurável, uma tristeza absoluta, um coração cruelmente ferido, lagrimas e soluços naquela cena tão brutal vistas pelos olhos de uma tão Amorosa Mãe, onde o maior tesouro é seu amado Jesus.
- Sofrimento e morte de Jesus na Cruz (João
19:25-27)
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"Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena. Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: Mulher, eis aí teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa."
A Virgem Maria sentiu intensa aflição e uma cruel injustiça, ao ver cada cravo ser pregado nas mãos e pés de seu Amado Filho, sentido a cada martelada a dor de seu filho. E quando seu Filho estava estendido na cruz no alto do calvário, ela olhou e sentiu a dor da desumanidade entre os homens ao crucificar o salvador do mundo. São Jeronimo, falou da Bem-aventurada Maria dizendo:
"Todas as torturas infligidas sobre o corpo de Jesus, foi uma ferida no coração de sua mãe."
O soldado romano chega ao pé da cruz onde esta Jesus e com uma lança em mãos, golpeia o seu lado para certificar se ele esta morto e escorre sangue e agua (João 19:34). O monge John Justus de Landsberg, conhecido como Lanspergius, filosofo, escritor e dedicado aos estudos Religioso e muito devoto, escreveu:
"Compartilhou esta ferida com sua mãe. Ele recebeu a ferida; Sua Mãe, suportou a dor."
Aos pés da cruz, Ela sentiu a dor da espada transpassando o seu coração, e viu seu Amado Filho entregar seu espirito ao Eterno Pai. A Virgem Maria sentiu como que sua própria alma partisse junto com a de Jesus. São João Crisostomo, faz a seguinte referencia:
“Qualquer um que tivesse estado presente, no Monte Calvário, teria visto dois altares onde estavam sendo oferecidos dois grandes sacrifícios: Um no corpo de Jesus - o outro no coração de Maria ".
- Jesus Cristo sendo retirado da Cruz - (Mateus
27:55-61)
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"Havia ali também algumas mulheres que de longe olhavam; tinham seguido Jesus desde a Galileia para o servir. Entre elas se achavam Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu. À tardinha, um homem rico de Arimatéia, chamado José, que era também discípulo de Jesus, foi procurar Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus. Pilatos cedeu-o. José tomou o corpo, envolveu-o num lençol branco e o depositou num sepulcro novo, que tinha mandado talhar para si na rocha. Depois rolou uma grande pedra à entrada do sepulcro e foi-se embora. Maria Madalena e a outra Maria ficaram lá, sentadas defronte do túmulo."
O sofrimento da Virgem Maria eram tão grande, que somente pela intervenção milagrosa de Deus que ela não pereceu. O corpo de Jesus é descido e entregue aos seus braços. Profunda agonia ao receber o corpo de seu Amado Filho, olhar para Ele e vê-lo coberto de sangue, cheio de contusões e com feridas profundas. Coração doloroso e angustiado, suportou o peso cruel do martírio, sofrendo pelo bem de todos os homens ao seu redor e as suas futuras gerações. Em seguida o corpo de Jesus foi preparado e embalado, o que deve ter parecido a Virgem Maria uma cena de uma eterna duração. Mas a Virgem Maria de nobre e divino coração, fez sua obediência total como havia prometido a Deus, manteve-se sofrendo bravamente em silencio e com muitas lagrimas.
- O sepultamento de Jesus Cristo - (João 19, 40-42)
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"Tomaram o corpo de Jesus e envolveram-no em panos com os aromas, como os judeus costumam sepultar. No lugar em que ele foi crucificado havia um jardim, e no jardim um sepulcro novo, em que ninguém ainda fora depositado. Foi ali que depositaram Jesus por causa da Preparação dos judeus e da proximidade do túmulo."
A Bem-aventurada Maria olha pela ultima vez o corpo de seu Amado Filho ser carregado ate a sepultura. O coração aflito e ferido segue o cortejo, pois em breve uma imensa rocha será rolada encerrando a entrada da sepultura. Já encerrado, a Virgem Maria deixa o seu dilacerado coração junto ao tumulo, pois o seu maior tesouro ali foi enterrado, "Pois onde estiver o seu tesouro , aí estará também o vosso coração"
- (Lucas 12:34) - São Bernardo comenta que a sua feição era uma desolação total, comovendo a todos que a viam em lagrimas, por todos os lugares em onde ela passou. São Bernardo menciona também que os seus discípulos e as mulheres que sempre o acompanhavam, tinham mais lamentos ao ver a Bem-aventurada Maria, do que para com o próprio Senhor.
As sete Alegrias
É uma devoção relacionada aos eventos felizes na vida da Bem-aventurada Maria, que certamente teve muitas alegrias em sua vida terrena e sem disputa, ter sido a preferida entre todas as mulheres para ser a Mãe de Deus, foi a primeiro deles. Assim podemos destacar sete:
- O anjo Gabriel lhe faz o anuncio que iria conceber e dar a luz ao filho de Deus (Lucas 1: 26-33).
- Visita a sua prima Isabel e sua saudação (Lucas 1: 39-55).
- Nascimento de seu filho, Menino Jesus (Lucas 2: 6-7).
- Adoração dos três reis magos ao Menino Jesus (Mateus 2: 1-2, 9-11).
- Depois de três dias encontram o Menino Jesus no templo (Lucas 2: 41-50).
- Ressureição de Jesus (Marcos 16: 1-6).
- Sua Assunção e Coroação como Rainha do Céu, definido pelo Dogma da Assunção em 1950.
Durante o século XIV as sete alegrias ficou muito conhecida, especialmente nas obras de artes renascentistas e na literatura. Surge no século XV, entre os franciscanos uma pratica que recorda os eventos felizes da Virgem Maria, ficando conhecida como “Coroa Franciscana” ou “Sete Alegrias da Santíssima Virgem Maria” ou “Rosário Franciscano” . Que tem um colar apropriado para ser usado, contendo 76 contas fixadas em circulo e conectado a uma medalha por um prolongamento com cinco outras contas, que termina com um crucifixo e uma medalha de São Francisco de Assis. Este rosário é rezado da seguinte forma: um "Pai Nosso" e dez "Ave Maria" por cada uma das Sete Alegrias. No final mais duas "Ave Maria", para totalizar 72; e para terminar mais um "Pai Nosso" e uma "Ave Maria" pelas intenções do Papa. O número "72" tem um significado especial, pois faz referência à tradição pela qual a Bem-aventurada Maria teria vivido 72 anos de idade aqui na Terra.
Portanto, sentir uma esperança firme, prazer do dever cumprido, sentir-se em paz, amizade e um profundo afeto com os outros, consigo e com Deus, são diferentes sentimentos que juntos dão origem a alegria. Onde a Santíssima Mãe de Deus é a fonte dessa felicidade perfeita, por isso ela disse:
“Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador, porque olhou para sua pobre serva”.