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Mariologia

Mosaico do Primeiro Concilio de Efesus
Basilica de Notre Dame de Fourviére, França
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Com o rápido desenvolvimento da comunidade cristã no principio do cristianismo e a intensa propagação das praticas religiosas destinadas a Virgem Maria. O Primeiro Concilio de Éfeso em 431 formalmente aprovou a devoção a Virgem Maria como Theotokos – MÃE DE DEUS , ao invés de Christokos - MÃE DE CRISTO, como queria Arcebispo de Constantinopla Nestório, que foi contra Theotokos – Mãe de Deus. A doutrina ensinada por Nestório dizia que a Virgem Maria não era a Mãe de Deus, mas Mãe de Cristo - Christokos. Seus ensinamentos afirmavam que o verbo de Deus ( Logos ) existia antes Dela e que Ele veio apenas residir na humanidade de Jesus, como um homem que se acha num templo ou vestido em uma roupa. Tendo Jesus duas naturezas distintas, uma divina e humana, como duas pessoas que convive em perfeita harmonia, ligados por um elo “místico”. Consequentemente a Virgem Maria não era a Mãe de Deus, mas apenas do homem Jesus, cujo qual se uniu a segunda pessoa da Santíssima Trindade com a sua Divindade.

O Concilio de Éfeso rejeitou sua proposta e definiu a Virgem Maria realmente como a Mãe de Deus, não que ela seja a fonte de Deus, mas no sentido de que ela concebeu em seu ventre Deus Encarnado, o Verbo. Finalizado a argumentação, Papa Celestino I intimou Nestório para que retirasse seus argumentos sob pena de exilio. Porem, Nestorio negou a faze-lo e foi exilado. Mesmo após exilado, permaneceu firme em sua posição, o que o leva a ser excomungado por heresia, consequentemente separação entre a Igreja e Nestorio, bem como os seus seguidores chamados de Nestorianos. Nesta ocasião deste concílio foi aprovado também a adoção e criação de ícones da Virgem Maria e o Menino Jesus, que já era um costume difundido e praticado entre os cristãos bem antes do Concilio. Onde, de acordo com a tradição, imagens e pinturas nas paredes de catacumbas romanas representavam a Mãe de Deus e o Menino Jesus. Com o aumento da popularidade da devoção mariana, surge as primeiras Igrejas dedicadas a Virgem Maria, como a Igreja de Santa Maria Maior “ Maggiore ” , em Roma, também conhecida como Nossa Senhora das Neves e entre outras a mais antiga, Santa Maria de Trastevere em Roma, onde sua inicial construção ocorreu durante os anos de 221 a 227 pelo Papa Calisto I, com a seguinte dedicação “ À Maria, Mãe de Jesus ”.

Mosaico dedicado a Virgem Teotokos na aboda da Anciente Hagia Sofia no ano 867, Istambul, Turquia. Hagia Sofia, significa Sagrada Sabedoria, sua construção foi finalizada em 537. Foi primeiramente uma Igreja Cristã, Igreja Ortodoxa, Igreja Catolica Romana, Igreja Ortodoxa Grega, Mesquita Imperial e atualmente um Museu deste 1935.
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Durante a Idade Media, a devoção a Virgem Maria estava muito propagada e praticada. Então a Virgem Maria adquire uma nova qualidade -“ A nova Eva ”. Isto ocorre durante um período em que a mulher era vista como fonte do mal e elas eram desprezadas na maioria das vezes. Mas a Virgem Maria como intercessora, altera este comportamento, influenciando mudanças nas relações e as atitudes dos homens para com as mulheres e vise versa, o que intensifica ainda mais a devoção a Virgem Maria. Onde ate o código de honra dos Cavaleiro, naquele época muito restritivo com as mulheres, vem adaptar suas atitudes de cavalheirismo em honra de uma Senhora. Surgindo assim uma nobre e grande admiração social aos homens considerados cavalheiros. Mais a frente, a devoção a Virgem Maria vem receber novas crenças, novos títulos e celebrações, adquirindo variados costumes culturais, locais e novas praticas religiosas diferenciadas, surgindo hinos e orações.

Durante o periodo do Renascimento ou Renascença ocorrido na Europa, surge a Reforma Religiosa ou o Movimento Protestante, de onde surge várias seitas e estas passaram a acusar e condenar os Católicos Romanos por desenvolver o culto de Maria, bem como sua veneração, que era visto pelos protestantes como um ato não cristão. Sendo esta pratica religiosa descrita como: “ Marianismo ou Mariolatria ”, onde os Cristãos Católicos inventavam doutrinas não bíblicas dirigidas a mulher Maria, dando a Ela um privilegio semidivino. Os protestantes combateram também os títulos a ela condecorados, como: Rainha do Céu, Nossa Mãe no Paraiso, Senhora, Rainha do Mundo, Mediatrix ( mediadora ou intercessora ), Illuminatrix ( Luz Doadora ) e outros. Usaram de variados meios e tentativas em denegrir, desestruturar e finalizar com a devoção mariana, mas tanto a Igreja Católica como a Ortodoxa, mantiveram-se firmes e perseverantes com os ensinamentos marianos, deste o principio - sua Conceição ate o fim - sua Assunção e sempre Virgem Maria.

Agora durante o inicio da era moderna, surgiu uma grande variedade de pontos de vista contrários a doutrina da Igreja Católica ( doutrinas protestantes ) sobre a Virgem Maria. Estas foram totalmente elaboradas e ministradas por heréticos, que concentraram energeticamente em atacar a pratica religiosa dos Cristãos Católicos em venerar a Virgem Maria. O que resultou de certa maneira em benefícios aos Cristãos Católicos, pois a Santa Igreja Católica em defesa da integridade moral idealizou e criou dois centros dedicado ao estudo da Virgem Maria que é a Academia Internacional Pontifícia de Maria e a Faculdade Pontifícia Teológica Mariana. Onde estas instituições vem fazer parte da Teologia da Igreja Romana Católica, dando vida a Mariologia da Igreja Romana Católica. Fato que ocasionou um vigoroso estimulo as varias congregações Cristãs pelo mundo, que contribuíram participando em movimentos e formação de varias Organizações e Sociedades Católicas Marianas, o que não solucionou as divergências no âmbito protestante, mas facilitou a compreensão, reforçou e deu discernimento na devoção mariana, por causa da introdução da Mariologia. Onde a Academia Internacional Pontifícia de Maria e a Faculdade Pontifícia Teológica Mariana, são as fontes principais deste processo.

Assim, o estudo da Mariologia que já era exercido deste a Igreja primitiva vem a ser oficialmente estabelecido como estudo teológico sobre a Virgem Maria, Mãe de Deus. Onde a Mariologia dispõe de uma enorme coleção bibliotecária de publicações de vários teólogos, uma extensa e abrangedora obra literária dos Padres Doutores da Igreja Primitiva e Medieval. A Mariologia pode ser estruturada em duas fontes principais de estudos :

Concilio do Vaticano II
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Consequentemente, a Mariologia estabeleceu como parte da Teologia Romana Católica, passando a ser uma disciplina definitiva e veio a receber grande atenção devido aos quatro Dogmas Marianos já instituídos pela Igreja Católica, devido aos estudos marianos anteriores sua oficialização. Devido ao seu progresso e saudável desenvolvimento dos estudos Mariano, o Concilio do Vaticano II, realizado em 21 de novembro de 1964, pela primeira vez atribuiu e definiu o principal ponto sobre a Mariologia através da promulgação da Constituição Dogmática – Sobre a Igreja " Lumen Gentium ” – Luz dos Povos , onde o capitulo VIII, é dedicado a Virgem Maria e durante o ultimo dia de votação do concilio, onde 2151 bispos votantes, somente cinco votaram pelo “ não ” . Assim, no discurso de encerramento o Papa Paulo VI diz:

"Este ano, a homenagem de nosso Conselho parece muito mais precioso e significativo. Pela promulgação da Constituição de hoje, que tem como coroa e ápice um capítulo inteiro dedicado a Nossa Senhora, podemos, com razão, afirmar que a presente sessão termina como um incomparável hino de louvor em honra de Maria.” “É a primeira vez que, de fato, e dizendo que enche as nossas almas com profunda emoção, que um Concílio Ecumênico apresentou uma vasta síntese tal da doutrina católica sobre o lugar que a Maria Santíssima ocupa no mistério de Cristo e da Igreja "

De acordo com a Constituição Dogmática , a Igreja afirma Jesus o Redentor que realiza a salvação e Maria a Mãe do Redentor, onde ela recebeu profeticamente a promessa da vitória sobre a serpente ( Genesis 3, 15 ), bem como a Igreja tem o dever de esclarecer aos fieis os seus deveres para com a Mãe de Deus e o seu papel exclusivo na produção desta salvação. Assim Ela é a primeira entre todos descendentes caídos no pecado, a receber por um privilegio único de ser a primeira entre os humildes, que confiantes esperam e recebem a salvação, Dela se cumpre a promessa em Isaias 7, 14 , concebera e dará luz a um filho, cujo nome será Emmanuel ( Deus esta Conosco ). Onde sua associação ao Filho de Deus na obra de salvação é manifestada desde a conceição até sua morte.

A Mariologia analisa o estudo de Cristo ( Cristologia ) como parte fundamental para os estudos da Virgem Maria, “ Mãe de Deus ” , pois este conceito tem um papel muito singular e especifico na salvação e redenção. Assim, como a própria Igreja principiante que examinou, considerou e produziu documentos através dos Santos Padres em suas homilias, exegeses , apologética e ensinamentos sobre este significante fundamento. É de onde a Mariologia tem o seu berço de nascimento, relacionado ao Mistério da Encarnação, sendo Jesus o Redentor e a Virgem Maria sua Mãe, a Redimida. É importante ressaltar também o seu papel na Moral Teológica, pois a Igreja ensina e descreve a Virgem Maria como modelo de virtude, virgindade e uma vida livre de pecado. Assim, por causa da relação mãe-filho, todo o aspecto que envolve as pesquisas bíblicas, históricas e cientificas sobre a vida de Jesus, acarreta o interesse a Mariologia. A Mariologia utiliza de vários métodos de estudos, um deles é a analise de textos, onde o contexto histórico, cultural e social exigem explicações e definições. Então os estudiosos empregam meios científicos analisando e estudando palavras ou frases, para melhor compreender o significado da fé dos primeiros cristãos e a tradição mariana desenvolvida pelos ensinamentos dos primeiros Padres da Igreja.

As apresentações teológicas diferem entre os teólogos quanto as diretrizes de seus estudos Marianos. Alguns seguem a linha histórica, enquanto outros seguem os fundamentos dogmáticos, graça, redenção etc. Alguns desenvolvem os aspectos que envolvem os atributos da Virgem Maria, como: títulos, privilégios, honra etc.

Karl Rahner o teólogo mais distinto no século XX, considera a Mariologia como parte da Cristologia, enquanto seu irmão também um grande Teólogo, Hugo Rhaner, desenvolveu a Mariologia baseando-se nos grandes Padres Doutores da Igreja como São Ambrósio de Milão, São Agostinho de Hipona, São Irineu de Leon e outros. Mas, sempre observando a Virgem Maria como Mãe e modelo para a Igreja, uma visão que veio a ser destacada pelo Papa Paulo VI e Papa Bento XVI.

Na atual era, sem duvida o maior progresso e estimulo a pratica religiosa mariana ocorre com as aparições da Virgem Maria e através dos ícones milagrosos. Onde, ocorreu e ocorre incontáveis milagres consentidos aos inúmeros peregrinos, em diversos lugares do mundo, onde visitam os Santuários a ela edificados e dedicados. Bem como também a pratica religiosa por ela recomendada, como: Medalha Milagrosa, Rosário, Escapular e outros.