Orações
Para permanecermos firmes na fé e recebermos os benefícios divinos,
devemos orar sempre. A oração restaura e fortalece nossas vidas, pois
sem oração, caímos rapidamente em pecado, desviando-nos das bênçãos de
Deus e dos dons consentidos pelo Espirito Santo. Jesus, filho precioso e
amado da Bem-aventurada Maria, nos deixou significantes exemplos da
necessidade de orar, como:
- Orou e jejuou por 40 dias antes de iniciar o seu ministério na vida publica;
- orou toda uma noite antes de escolher seus discípulo;
- Orou sozinho muitas vezes e algumas vezes com seus discípulos.
- Também, Nosso Criador nos indicou, que a melhor maneira de chama-lo em auxilio é orando. Ele próprio no Antigo testamento diz : “ se meu povo, sobre o qual foi invocado o meu nome, se humilhar, se procurar minha face para orar, se renunciar ao seu mau procedimento, escutarei do alto dos céus e sanarei sua terra ”( II Crônicas 7: 14 ) .
- E no Novo Testamento ele firmemente nos diz: “ Orai sem cessar ” - ( I Tessalonicenses 5: 17 ).
Assim, as orações de petições por nos dirigidas aos Santos solicitando por ajuda e proteção, são por nos creditadas de confiança na certeza da intercessão deles perante ao Nosso Senhor. O que ocorre também com as orações marianas, onde as mesmas petições de intercessão são dirigidas a Bem-aventurada Maria. Mas, em virtude de seu privilegio único, Mãe de Deus e feita por Ele nossa Mãe, confiamos e esperamos em sua especial intercessão maternal.
Portanto a Igreja vê a Bem-aventurada Maria como uma perfeita oração, que fortalece, sustenta e uni com esperança os fieis. Onde também a Igreja considera rezar em comunhão a Bem-aventurada Maria, buscando sempre engrandecer as maravilhas que o Senhor fez a ela, rogando suplicas e fazendo louvores a ela.
Desde o principio da Igreja as Orações dirigidas a Bem-aventurada Maria tem ocupado um lugar nobre e privilegiado. Pois, Ela exerce um singular privilegio na obra Divina da salvação do gênero humano.
A oração mariana é uma prece filial, onde pedimos através da nossa Santíssima Mãe pelo amparo da misericórdia e benevolência Divina.
Sob a Vossa proteção
Sub Tuum Praesidium
O mais antigo manuscrito que contem e preserva esta oração se encontra em um largo painel de papiro vindo do século III de origem desconhecida, que hoje se encontra na Biblioteca John Rylands em Manchester-USA. Escrito em grego por volta do ano 250 e 280, com a seguinte inscrição:
Original gregoὙπὸ τὴν σὴν εὐσπλαγχνίαν καταφεύγομεν Θεοτὸκε·
τὰς ἡμῶν ἱκεσίας μὴ παρίδῃς ἐν περιστάσει ἀλλ᾽
ἐκ κινδύνουλύτρωσαι ἡμᾶς μόνη ἁγνὴ μόνη εὐλογημένη
Tradução LatinaSub tuam misericordiam confugimus,
Dei Genitrix ! nostras deprecationes ne
despicias in necessitatibus sed a perditione
salva nos sola pura, sola benedicta.
Tradução PortuguêsSob a sua misericórdia nós tomamos refúgio
Mãe de Deus! Nossa orações, não desprezes
as necessidades, mas a partir do perigo livrai-nos,
somente pura, somente bendita. Amen.
Assim como toda oração religiosa antiga, ela é simples, clara e breve, contendo referencias que podem ser vistas na bíblica, como o termo usado “ benedicta ” - bendita ( Bem-aventurada ), que é usado na saudação de Isabel “ Benedicta tu in mulieribus”-“Bendita (Bem-aventurada) es tu entre as mulheres ” . Bem como no contexto histórico em que vivia a comunidade Cristã, perseguida pelos romanos, onde os fieis suplicavam a Bem-aventurada Maria por ajuda e proteção. Também nas três verdades teológicas básicas que são reunidas em poucas palavras:
- Especial eleição da Virgem Maria por Deus, “ somente bendita ”, ou seja, cheia de graça.
- Virgindade Perpetua de Maria, “ somente pura ”.
- Divina Maternidade, Maria Mãe de Deus, uma simples tradução de “ Genitrix ”. Onde o termo Teotokos foi utilizado no Concilio Ecumênico de Éfeso no ano 431, não uma invenção do século V, pois Teotokos = Dei Genetrix = Mãe de Deus.
Além deste texto grego, outras versões foram achadas entre os Cristãos Cópticos ( egípcios ), Sírios e Armênios. Esta oração ou hino é ainda hoje usado na liturgia Cóptica, Bizantina, Ambrosiana e Romana. A versão latina também foi utilizada como musica por famosos nomes como: Mozart, Salieri e outros. Também tem uma especial significância para Ordem Marista, onde é comum recitar ou cantar nas Escolas Maristas e grupos ao redor do mundo. É comumente recitada em conjunto com a Salve Rainha e uma indulgencia parcial é concedida aos fieis que recitam esta oração. Indulgencia é o perdão dos pecados concedida pela Igreja Catolica.
Outra versão:
À vossa proteção recorremos,
Santa Mãe de Deus,
não desprezeis as nossas súplicas
em nossas necessidades,
mas livrai-nos sempre de todos os perigos,
ó Virgem gloriosa e bendita. Amen.
Cântico de Maria
Magnificat
obra de Sandro Botticelli, 1483 - Florence, Italia
O Cantico de Maria ocupa um importante lugar na Liturgia da Igreja deste o século IV, um dos mais antigos hinos Mariano. Seu nome vem a partir da primeira palavra do texto em latim “ Magnificat anima mea Dominum,. . . ” - Minha alma engrandece o Senhor
Esta canção ou oração vem do evangelho de Lucas 1:46-55 , durante o evento da Visitação da Bem-aventurada Maria a sua prima Isabel, quando gravida de João Batista. É a resposta da Bem-aventurada Maria celebrando as maravilhas que Deus operou nela, depois que o Anjo a convidou para se alegrar. Ela se expressa exaltando a Deus seu Salvador, celebrando Sua grandeza e Sua onipotência. Demostrando sua alegria pelo carinho Divino para com ela, uma criatura inferior, sua serva humilde, que irá ser a Mãe do seu Filho encarnado. É recitada durante a Véspera (orações do período da tarde) na Liturgia das Horas ( orações das obrigações diária do sacerdote católico ). Esta oração quando recitada pelo fiel recebe uma indulgencia parcial da Igreja.
Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito; exulta de alegria em Deus,
meu Salvador, porque olhou para sua pobre serva. Por isto, desde agora,
me proclamarão bem-aventurada todas as gerações, porque realizou
em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo.
Sua misericórdia se estende, de geração em geração, sobre os que o temem.
Manifestou o poder do seu braço: desconcertou os corações dos soberbos.
Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes. Saciou de bens os
indigentes e despediu de mãos vazias os ricos. Acolheu a Israel,
seu servo, lembrado da sua misericórdia, conforme prometera a nossos pais,
em favor de Abraão e sua posteridade, para sempre.
- Latim:
" Magnificat anima mea Dominum, et exultavit spiritus meus in Deo
salvatore meo, quia respexit humilitatem ancillae suae. Ecce enim ex
hoc beatam me dicent omnes generationes, quia fecit mihi magna,
qui potens est, et sanctum nomen eius, et misericordia eius in progenies
et progenies timentibus eum. Fecit potentiam in brachio suo, dispersit
superbos mente cordi sui; deposuit potentes de sede et exaltavit humiles;
esurientes implevit bonis et divites dimisit inanes. Suscepit Israel
puerum suum, recordatus misericordiae, sicut locutus est ad patres nostros,
Abraham et semini eius in saecula. ”
Rainha do Céu
Regina Caeli ou Coeli
Obra de Gentile da Fabriano, 1422-25 - Roma, Italia
Um das antiguíssimas orações marianas, foi composta para ser cantada ou recitada. Sua autoria é desconhecida, os manuscritos históricos foram verificados até do século XII, onde era usada nos mosteiros e conventos. A tradição comenta que o Papa São Gregório I, durante o período dos anos 590 a 604, ouviu anjos cantando, numa manha de Pascoa em Roma, as três primeiras linhas do hino durante uma grande procissão que ele seguia descalço e levavam a Pintura da Virgem Maria, feita pelo Evangelista Lucas. Depois, ele inspirado adicionou a quarta linha. Como de costume, o nome da oração vem da primeira palavra em latim do texto do hino, “ Coelum ” que significa “ Rainha ” , que na literatura medieval, latim clássico, era “ Caelum ” , onde “ ae ” ou “ oe ” tinham a mesma pronunciação, sendo comum encontrar as duas formas escritas: “ Caelum ” ou “ Coelum ”, nos tempos modernos “ Caeli ou Coeli ” . Assim, conhecemos por “ Regina Caeli ” – Rainha do Céu, que durante a época Pascal e recitada ou cantada no lugar do Ângelus.
Rainha do Céu, alegrai-vos, Aleluia!
- Porque Aquele que merecestes trazer em Vosso ventre, Aleluia!
Ressuscitou como disse, Aleluia! - Rogai por nós a Deus, Aleluia!
Alegrai-vos e exultai, ó Virgem Maria, Aleluia!
- Porque o Senhor ressuscitou verdadeiramente, Aleluia!
Oremos.
Ó Deus, que Vos dignastes alegrar o mundo com a
Ressurreição do vosso Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo,
concedei-nos, Vos suplicamos, a graça de alcançarmos
pela proteção da Virgem Maria, Sua Mãe,
a glória da vida eterna. Por Cristo Nosso Senhor. Amen.
- Latim:
Regina cæli, lætare, alleluia:
- Quia quem meruisti portare,alleluia, Resurrexit, sicut dixit, alleluia,
- Ora pro nobis Deum, alleluia. Gaude et lætare, Virgo Maria, alleluia.
- Quia surrexit Dominus vere, alleluia.
Oremus.
Deus, qui per resurrectionem Filii tui,
Domini nostri Iesu Christi, mundum lætificare
dignatus es: præsta, quæsumus, ut per eius
Genitricem Virginem Mariam, perpetuæ capiamus gaudia vitæ.
Per eundem Christum Dominum nostrum. Amen.
Ave Maria
Obra de Ambrogio Bergognome, 1488-90 - Milão, Italia
A oração Ave-Maria é uma composição feita a partir da saudação do Anjo Gabriel a Bem-aventurada Maria, também chamada de saudação angelical. Provavelmente a mais popular de todas orações marianas. Ela é descrita em duas partes distintas.
- A primeira parte vem do Evangelho de Lucas referindo a Anunciação do
Anjo Gabriel, junto com a saudação de Isabel na Visitação onde:
Lucas 1:28 - “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo.”
Lucas 1:42 - “ bendito é o fruto do teu ventre (Jesus).” - A segunda parte e ultima consiste em uma parte intercessora.
“ Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nos pecadores, agora e na hora de nossa Morte. Amem ”.
A devoção a Bem-aventurada Maria manifestou-se logo cedo na Igreja pelos cristãos, bem como é lembrado que a saudação do Anjo Gabriel passou a fazer parte das praticas usadas pelos fieis. E registrado nas liturgias de São Tiago de Antiquai e São Marcos de Alexandria o agrupamento das duas passagens bíblicas, durante final século IV. Ficando bem popular a frase durante o século XI, fato que foi documentado por São Pedro Damião, que viveu durante o ano de 1.007 a 1.072. Também, evidencias sugerem que responsórios usando a saudação foram utilizados logo no principio pelos cristãos durante o desenvolvimento da devoção a Bem-aventurada Maria, onde alguns Monastérios e pequenos grupos cristãos, a usavam como forma de saudação apenas. Durante o século XII, iniciou-se o surgimento de varias historias sobre a Bem-aventurada Maria, onde esta forma de saudação passou a ser uma tradição oral reverenciando a Bem-aventurada Maria e rapidamente a saudação progrediu e passou a ser utilizada como uma devoção particular ( em orações individuais, em pequenos grupos ou em família ), onde a saudação sempre foi acompanhada por algum tipo de gesto, como: inclinar a cabeça para baixo, inclinar o corpo ou ajoelhar. Todavia a frase “ bendito é o fruto do teu ventre ” não existe fortes evidencias de que era uma forma habitualmente usada. Mas existem registros que indicam fazer parte desta tradição também, onde um Abade da Ordem Cisterciense ( hoje uma Ordem da Igreja Reformada-Protestante ) que foi feito Arcebispo de Canterbury ( Cantuaria ) na Inglaterra, chamado Baldwin, escreveu uma espécie de documento onde ele menciona:
“ Por esta saudação do Anjo, pela qual estamos diariamente a saudar a Santíssima Virgem, com tanta devoção como poderíamos, estamos acostumados a acrescentar as palavras", e bendito é o fruto do teu ventre", cuja frase é de Isabel, usada mais tarde na saudação a Virgem, ajuntamos e complementamos, por assim dizer, as palavras do Anjo, dizendo: ". Bem-aventurados sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre ".
Os católicos foram muito censurados pelos reformadores ( Protestantes ou seitas cristãs ) pela constante repetição desta saudação, uma vez que não continha qualquer tipo de pedido de favor ou graça. O que levou aos cristãos católicos no curso do tempo a adicionar uma frase ou sentença após “ ...e bendito é o fruto do teu ventre ”. Assim esta pratica veio a ficar popular durante este período, onde a mais famosa delas ficou atribuída ao escritor e poeta italiano Dante Alighieri, durante meados do século XIV, onde sua formula escrita encerrava na seguinte maneira:
“ Oh Virgem, rogai a Deus por nós sempre, para que Ele possa nos perdoar e nos dar a graça, para que possamos viver aqui na terra e Ele nos recompensar com o paraíso na nossa morte ”.
Outrossim, São Tomas de Aquina, mencionada que o nome “ Maria ” foi adicionado para dar indicação e ênfase à pessoa que estava “ cheia de graça ”, bem como o nome “ Jesus ” foi acrescentado para especificar quem era a pessoa contida na frase “ o fruto do teu ventre ”. Assim a saudação e louvor a Bem-aventurada Maria passou a ter a uma estrutura mais conhecida e definida. Documentos foram rastreados até o século XV e foram encontrados dois finais adicionados a saudação. O primeiro “ Sancta Maria, Mater Dei, ora pro nobis peccatoribus ” - Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, foi achado nos documentos escritos por São Bernardino de Siena. O segundo final “ Sancta Maria, Mater Dei, ora pro nobis nunc et in hora mortis nostrae ” - Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, agora e na hora de nossa morte, foi achado num Breviário Romano em uma diocese na Alemanha.
Em 1495 veio pela primeira vez a oração ser impressa pelo Frade Dominicano, Girolam Savanarola ( Jeronimo Savanarola ) que dizia:
“ Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco; Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora da morte. Amém ”.
Sendo então esta formula em 1566 incluída no Catecismo da Igreja Católica, durante o Concilio de Trento. E promulgada pelo Papa Pio V, como uma oração e uma invocação dirigida a Santíssima Mãe de Deus, na qual devemos implorar por sua ajuda e assistência, pois ela possui méritos elevados com Deus e ela deseja nos ajudar com suas orações, e ninguém pode duvidar por malicia e falta de piedade.
Assim, a oração Ave-Maria foi oficialmente incluída no Breviário da Igreja Romana ( livro de orações e cantos ) em 1568.
Ave-Maria é parte essencial do Rosário, um método de oração especialmente usado entre os católicos latinos ( ocidental ) . Onde o Rosário é composto tradicionalmente por três series de Mistérios, onde cada serie contem cinco mistérios e em cada mistérios contem dez décadas ou dez Ave-Marias para serem rezadas, perfazendo no final um total de 150 Ave-Marias rezadas. Faz também parte fundamental da devoção do Ângelus, onde é recitada três vez ao dia ( 6 horas da manhã, meio dia e as 6 horas da tarde ) por muitos católicos.
Assim, hoje temos definida a versão corrente da oração a partir do Latim promulgado:
Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco.
Bendita sois vós entre as mulheres e bendito
é o fruto do vosso ventre, Jesus.
Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores,
agora e na hora de nossa morte.
Amem.
- Latim:
Áve María, grátia pléna,
Dóminus técum. Benedícta tu in muliéribus, et benedíctus frúctus
véntris túi, Iésus. Sáncta María, Máter Déi, óra pro nóbis peccatóribus,
nunc et in hóra mórtis nóstrae.
Amen.
Salve Rainha
Salve Regina
Obra do Ilustrador Renascentista de Manuscritos Gerard Horenbout, 1519-21. Do Livro das Horas Canônicas de Sforza Horas, produzido para Duquesa de Milão Nona Sforza
Salve Rainha ( Latim: Salve Regina ) é uma oração e um hino, podendo ser recitado ou cantado, também é a ultima oração do Rosário. Um grande numero de autores tem sido proposto para esta oração. O mais indicado pelos estudiosos é o monge alemão do mosteiro de Reichenau chamado Hermano Contractus, escritor de varias peças Marianas, e que provavelmente o escreveu por volta do ano l.000. A tradição relata que as ultimas três invocações se deve a São Bernardo, que durante seu legado papal na Alemanha, ouvia o hino sendo cantado na Igreja de Spires e ao termino atirou-se de joelhos, e em alta voz disse as palavras: “ O Clemente , O piedosa, O doce Virgem Maria ” . Estas três invocações são repetidas desde então e depois quatro pedras foram assentadas marcando o lugar na Igreja onde o Santo Padre Doutor ajoelhou-se.
A Bem-aventurada Maria, Rainha do Céu é uma crença, uma doutrina, onde a Igreja Católica através do Papa Pio XII decretou a Encíclica Papal “ Ad Caeli Reginam ” - À Rainha do Céu, concedendo o titulo de “ Rainha do Céu ” a Bem-aventurada Maria, uma crença seguida desde os primeiros séculos do cristianismo. Foi cantada originalmente em procissões, alguns monastérios entoavam o hino nas Capelas e também era recitada pelos monges durante o percurso do santuário ate os aposentos de dormir. Vindo mais tarde ser utilizada como oração recitada no Completório ou Completas ( ultima hora exercida na disciplina católica pelo sacerdote, Oficio Divino, onde ele recita uma oração após a ultima refeição do anoitecer ). Sabe-se que durante o século XI tanto a Ordem dos Dominicanos, Franciscanos e Carmelitas usaram o hino por um tempo na ocasião do Evangelho na missa, bem como foi ordenado pelo Papa São Gregório XVI que fosse cantado após o completas (completório) as sextas-feiras e deste o século XIV tem sido parte do completório no ritual Latino.
De acordo com São Domingos Gusmão este é um dos favoritos de Nossa
Senhora, dito por ela própria a ele em uma de suas visões. E relatado no
livro “ A Vida de São Domingos ” escrito pelo
reverendo Padre Jean-Baptiste-Heri Dominique Lacordiare em 1844, narra
que numa noite enquanto ia pelo corredor retornando ao Mosteiro,
recitando a oração, para resumir sua vigília da meia-noite de orações.
Quanto viu três bonitas damas se aproximar dele. Ajoelhou-se aos pés da
principal, reconhecendo-a, mas assim mesmo lhe perguntou o nome. Ela o
abençoou e disse:
“ Sou aquela a quem você invoca todas as noites. E
quanto você diz: “Eia ergo, nostra Advocata ” - “ Eia, pois, advogada
nossa” Eu me curvo diante do meu Filho, suplicando-o para proteger
esta Ordem ”.
Uma indulgencia parcial é concedida aos fieis que devotamente recitar esta oração.
Salve, Rainha, Mãe de misericórdia,
vida, doçura e esperança nossa, salve!
A vos bradamos, os degradados filhos de Eva,
a vos suspiramos, gemendo e
chorando neste vale de lagrimas.
Eia, pois, Advogada nossa,
esses vossos olhos misericordiosos a nos volvei e
depois deste desterro mostrai-nos Jesus,
bendito fruto do vosso ventre,
O clemente, O piedosa, O doce virgem Maria.
Rogai por nos, Santa Mãe de Deus.
Para sermos dignos das Promessas de Cristo.
Amem.
- Latim:
“ Salve, Regina, mater misericordiae,
vita, dulcedo, et spes nostra, salve.
Ad te clamamus exsules filii Hevae.
Ad te suspiramus, gementes et flentes in hac lacrimarum valle.
Eia, ergo, advocata nostra,
illos tuos misericordes oculos ad nos converte.
Et Iesum, benedictum fructum ventris tui,
nobis post hoc exsilium ostende.
O clemens, O pia, O dulcis Virgo Maria. Amen.
V. Ora pro nobis, sancta Dei Genetrix.
R. Ut digni efficiamur promissionibus Christi.
Amem”
Lembrai-vos
Memorare
Obra de Bartolomé Esteban Perez Murrilo - 1655, Madri, Espanha
O autor real desta oração é desconhecido, mas tem sido tradicionalmente atribuído a São Bernardo do século XII erroneamente. Possivelmente, por causa de um outro Padre Frances Claudio Bernardo, do século XVII que utilizou desta oração intensivamente em seus ministério de evangelização aos pobres e aos prisioneiros, onde alcançava grande resultado. Deste modo, durante a sua vida imprimiu e distribuiu cerca de 200.000 copias da oração em panfletos em varias línguas, tornando-a muito popular. O Padre relatou em uma carta sua dirigida a Rainha Ana da Áustria, que uma vez se encontrava gravemente doente e recitou a oração e imediatamente começou a se sentir melhor. Sentiu-se indigno de tal milagre e atribui sua cura como uma causa desconhecida. Mas no dia seguinte, seu companheiro Frade Fiacre, foi vê-lo para saber sobre sua saúde, dizendo-lhe que havia tido uma visão da Virgem Maria, e ela lhe contava como o havia curado. Sentindo muito envergonhado por sua ingratidão, pediu a Deus perdão por sua atitude e dedicou-se na evangelização sempre recitando a oração “Lembrai-vos” e distribuía seus panfletos com a oração e dava credito de sua cura por recita-la.
A oração é derivada de uma outra longa oração do século XV " Ad sanctitatis tuae pedes, dulcissima Virgo Maria. " – “Aos pés de sua santidade, doce Virgem Maria”. Todavia a versão moderna foi retirada da versão indulgenciada pelo Papa Pio IX em 1846. Também conhecida como Oração de São Bernardo.
Lembrai-vos,
ó piíssima Virgem Maria,
que nunca se ouviu dizer
que algum daqueles que têm recorrido à
vossa proteção, implorado a vossa assistência,
e reclamado o vosso socorro,
fosse por Vós desamparado.
Animado eu, pois, com igual confiança, a Vós,
ó Virgem entre todas singular, como à Mãe recorro,
de Vós me valho e, gemendo sob o peso
dos meus pecados, me prostro a vossos pés.
Não rejeiteis as minhas súplicas,
ó Mãe do Verbo de Deus humanado,
mas dignai-Vos de as ouvir propícia,
e de me alcançar o que vos rogo.
Amem.
- Latim:
Memorare,
O piissima Virgo Maria,
non esse auditum a saeculo,
quemquam ad tua currentem praesidia,
tua implorantem auxilia, tua petentem suffragia,
esse derelictum.Ego tali animatus confidentia,
ad te, Virgo Virginum, Mater, curro,
ad te venio, coram te gemens peccator assisto.
Noli, Mater Verbi,verba mea despicere;
sed audi propitia et exaudi.
Amen.
Angelus
Obra de Bartolomé Esteban Perez Murrilo,1655-60 - Sevilia, Espanha
É uma devoção antiga na qual comemora a Encarnação do Verbo e já era bem conhecida por volta dos anos 700. Ângelus, é a primeira palavra derivada do texto da oração em latim “ Ângelus Domini nuntiavit Mariæ” – O Anjo do Senhor anunciou a Maria....”. A oração consiste em recitar três versículos e respostas em versos descrevendo o mistério, alternados pela recitação da Ave Maria. Esta devoção foi tradicionalmente recitada pelas Igrejas, Conventos e Mosteiros Católicos três vezes ao dia: 6:00 horas da manha, 12:00 horas ( meio-dia ) e 6:00 horas da tarde e geralmente era acompanhada pelo soar dos sinos ( sino dos Anjos ) convidando a todos na oração do mensageiro de Deus ( anjo Gabriel ) que revelou a Bem-aventurada Maria que ela conceberia um filho, o filho de Deus. Mas é uma oração que pode ser recitada a qualquer hora. Nos dias de hoje a Cidade do Vaticano ainda ressoa os sinos ( Ângelus ) e alguns tradicionais Monastérios, em especial os Franciscanos, Conventos e varias instituições na Irlanda.
Durante o Tempo Pascal o Ângelus e substituído pela Oração Rainha do Céu -“ Regina Caeli ” .
O Anjo do Senhor anunciou a Maria
- E ela concebeu do Espírito Santo.
Ave Maria........
- Eis aqui a serva do Senhor.
Faça-se em mim segundo a vossa Palavra.
Ave Maria......
- E o Verbo se fez carne.
E habitou entre nós.
Ave Maria.....
Rogai por nós, Santa Mãe de Deus.
- Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
Oremos:
Infundi, Senhor, a vossa graça em nossos corações para que,
conhecendo pela anunciação do Anjo a encarnação de vosso Filho bem-amado,
cheguemos por sua paixão e cruz, à glória da ressurreição. Por Cristo,
nosso Senhor.
R. Amém.
- Latim:
Angelus Domini nuntiavit Mariae,
- Et concepit de Spiritu Sancto.
Ave Maria.........
Ecce ancilla Domini.
- Fiat mihi secundum verbum tuum.
Ave Maria............
Et Verbum caro factum est.
- Et habitavit in nobis.
Ave Maria.........
Ora pro nobis, Sancta Dei Genetrix.
- Ut digni efficiamur promissionibus Christi.
Oremus.
Gratiam tuam, quaesumus, Domine, mentibus nostris infunde;
ut qui, Angelo nuntiante, Christi Filii tui incarnationem
cognovimus, per passionem eius et crucem ad resurrectionis
gloriam perducamur. Per eundem Christum Dominum nostrum.
R.: Amen.