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Avareza


FOUR
Avareza
Apego excessivo e desordenado ao dinheiro e aos bens materiais
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É vista como um amor desordenado e egoísta em adquirir e acumular bens materiais, em especial o dinheiro. É um desejo incontrolável de ajuntar riquezas que vão além do necessário para vida humana. A avareza é considerada um vício desprovido de sensatez e inteligência (estupido), porque o avarento deixa de desfrutar do poder de suas posses e usufruir de seu dinheiro para seu bem próprio. Ao invés, ele imagina ser um gasto ou uma perda desnecessária e devido a isso, perde a liberdade procurando guardar e proteger seus bens. Com isso, passa a ter constante angústia de perder o que possui. O Avarento acredita ter riquezas que pode proporcionar prazeres e poder, mas isso para ele nunca é uma realidade.

A liberalidade é a virtude que nos ensina a moderar nossos desejos e afeto as riquezas, de maneira justa e generosa. Enquanto a avareza é o oposto, ela coíbe a generosidade e cria uma relação doentia com os bens materiais. A Doutrina Católica nos ensina que a avareza é um pecado mortal, porque leva a outros males e vai contra o primeiro mandamento – Amar a Deus sobre todas as coisas.

São Mateus - 6,24:
Não podeis servir a Deus e à riqueza.

A avareza não é exclusiva de quem possui grandes fortunas; refere-se ao vício do coração em substituir o amor (apego) pelo próximo e as coisas divinas, pelo bem material. É uma doença espiritual que afeta todas as classes sociais, gerando dureza de coração, inquietação, fraude e traição, desviando a atenção dos bens do céu. No Sermão da Montanha, Jesus adverte:

São Mateus – 6, 19-20
"Não acumuleis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem os corroem ........ mas cumulai tesouros no céu”
A riqueza em si não é um pecado, mas uma grande responsabilidade. Deus não é pobre, pois tudo Lhe pertence, mas, como proclama São Paulo:
Coríntios 2 - 8, 9
"de rico que era, fez-se pobre por vós, para que vos tornásseis ricos pela sua pobreza".

A Igreja Católica chama a atenção que o acúmulo desmedido de riquezas, interrompe a pessoa de viver o amor ao próximo e a confiança na Providência Divina. É um vício capital e uma doença espiritual do coração.


As manifestações e consequências



Idolatria:
É uma forma de avareza, pois o dinheiro e os bens terrenos, são postos no lugar de Deus. Mesquinhez:
Falta de generosidade mesmo quando há recursos. O uso correto das riquezas para o bem da família e do próximo é fruto da generosidade. Na avareza, o ato de partilhar gera tristeza, enquanto na virtude, gera alegria. Defeito Moral:
É uma falha que corrói a alma, eliminando a paz e a liberdade interior, tornando a pessoa escrava de suas posses. Dureza do Coração:
A incapacidade de enxergar a necessidade do outro por estar focado apenas no próprio acúmulo. Apego excessivo:
Um desejo desordenado de posse que leva à miséria existencial, mesmo cercado de fortunas. Pode resultar em injustiça, mentira e corrupção para manter o patrimônio Avareza Espiritual:
O desejo de acumular conhecimentos ou graças apenas para si, sem colocá-los a serviço do Reino de Deus. O Combate e a Dimensão Social:
Para combater a avareza, devemos praticar a gratidão, reconhecendo que tudo o que temos é dom de Deus.
Agostinho ensinou:
O homem não se torna bom por possuir coisas boas. Ao contrário, o homem torna boas as coisas que possui ao usá-las bem".

Por fim, a avareza torna-se um "Pecado do Mundo", pois fere a coletividade. Ela alimenta uma dinâmica de consumismo que depreda o meio ambiente, gera corrupção e concentração exagerada de renda. Na modernidade, o valor do indivíduo é muitas vezes reduzido ao que ele possui. Itens de luxo e tecnologias tornam-se símbolos de status, alimentando a cobiça em vez da necessidade. Enquanto a riqueza é idolatrada, a pobreza aumenta.


Comportamento típico de
uma pessoa avarenta

A preocupação excessiva em acumular bens e a resistência extrema em gastar ou compartilhar são as marcas estampadas do avarento. Sua característica egoísta o leva a idolatrar o dinheiro como o centro de suas decisões e de sua eterna insatisfação. Ele busca sempre acumular, fazendo das posses a razão da sua existência, colocando-as acima de Deus, da família e do próximo. Alguns de seus principais comportamentos são:
1 Timóteo 6:10
“Porque o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.”
  • Apego excessivo aos bens: coloca o dinheiro e as posses materiais acima de Deus, da família e do próximo.
  • Medo constante da perda: vive em eterna insegurança financeira, acumulando além do necessário por falta de confiança na providência divina.
  • Egoísmo: evita dividir ou ajudar os outros, pois vê qualquer ato de generosidade como uma ameaça ao seu patrimônio.
  • Controle rígido: tende a vigiar gastos minuciosamente, tanto os próprios quanto os de quem está ao seu redor.
  • Exploração do próximo: foca tanto no ganho pessoal que não se importa em reter o que é justo dos outros para aumentar o próprio lucro.

Consequentemente, movido pelo medo da escassez e pelo egoísmo, o avarento é visto comumente participando de eventos comunitários e religiosos ou apoiando programas beneficentes. Porém, ele não faz isso pelo desejo sincero de ajudar. Essa suposta simplicidade é a marca da avareza oculta: uma forma de evitar que seus bens e riquezas se tornem alvo de pedidos de ajuda do próximo.

Essa "simplicidade" é usada com o intuito de encobrir a sua real condição financeira, tornando sua riqueza extremamente difícil de ser compartilhada ou ofertada como ajuda legítima ao necessitado. Essa capacidade de camuflagem serve para projetar a imagem de um indivíduo humilde, comum ou até desprivilegiado. O objetivo é duplo: evitar ser rotulado como "mesquinho" ou "pão-duro" e, ao mesmo tempo, ser visto como um cidadão responsável e caridoso. Esse comportamento brota de um coração corrompido pelo pecado capital da Avareza, e não do interior de um homem justo e íntegro, cuja caminhada o faz praticar a generosidade e a verdadeira caridade.

Jesus Cristo alertou severamente sobre esse comportamento de aparências ao dizer:
Lucas 12:15
“Cuidado! Guardem-se de todo tipo de avareza ; a vida de um homem não consiste na quantidade dos seus bens.”

Por consequência, as práticas externas não mudam o coração avarento. A verdadeira transformação precisa vir de dentro, substituindo o apego material pela real generosidade. Deus conhece o que realmente governa a nossa alma e sabe quando o ouro se tornou o verdadeiro senhor daquela vida.





Conclusão:

Vencer a avareza exige um exercício diário de desapego e confiança. Ao praticarmos a generosidade, a esmola e a oração, reconhecemos que nossos bens são temporários e que somos apenas administradores da abundância de Deus. Só o amor ao próximo e a entrega à Providência podem libertar o coração das correntes do acúmulo e devolver ao ser humano sua verdadeira dignidade e liberdade.